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Operação contra facção criminosa cumpre mais de 120 mandados de prisão, busca e bloqueios de cerca de R$18 bilhões em quatro estados

Atuação integrada buscou principalmente sufocar economicamente a organização. Investigação identificou o papel de cada um dentro da engrenagem criminosa

Operação contra facção criminosa cumpre mais de 120 mandados de prisão, busca e bloqueios de cerca de R$18 bilhões em quatro estados
A ação teve como objetivo frear a expansão territorial das facções em Minas Gerais, marcada por violência extrema e movimentação de cifras milionárias.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), com o apoio da Polícia Civil e do Gaeco do Amazonas, deflagrou, nessa quarta-feira, 24 de setembro, a Operação Custos Fidelis. O objetivo da ação é combater a lavagem de dinheiro oriunda do tráfico de drogas comandado pela organização criminosa Família Teófilo Otoni (FTO), afiliada ao Comando Vermelho (CV).

As investigações e dados da operação foram detalhados em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, na sede da Unidade de Combate ao Crime e à Corrupção do MPMG (UCC). Participaram da coletiva o procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho; o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões; o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Giovani Avelar; o chefe do Estado-Maior da PMMG, coronel Maurício José de Oliveira; e a chefe do Centro de Jornalismo da PMMG, major Layla Brunnela.

Atuação integrada

O procurador-geral de Justiça destacou o trabalho colaborativo entre o Ministério Público e o Governo de Minas, que resultou no atingimento do coração financeiro do crime organizado. Paulo de Tarso apontou a importância de se ter acesso a dados de inteligência de órgãos de controle financeiro para incrementar ainda mais a capacidade de atuação.

“Para enfrentar algo organizado temos que estar ainda mais organizados, com articulação e inteligência, como neste caso. Agora desejamos que os valores dessa organização sejam declarados como perdidos e revertidos para os cofres do Estado para que retornem à população mineira”, disse Paulo de Tarso.

A presença do Comando Vermelho em Minas foi lamentada pelo vice-governador Mateus Simões, antes dele enfatizar que não haverá instalação do grupo ou de outra facção no Estado sem que haja reação. “Em Minas Gerais o monopólio da força continua sendo do Estado, que agirá com força, quando necessário, para garantir que a ordem seja mantida e prevaleça”, afirmou ele.

Giovani Avelar observou que a investigação do crime organizado não é simples, leva tempo, mas tem que ser feita. “Não podemos nos preocupar apenas com a resposta imediata à criminalidade cotidiana, que também é necessária, mas temos que entender a dinâmica das organizações criminosas, como foi feito neste caso, durante um ano e meio. Tudo foi identificado, o papel de cada um, a engrenagem criminosa”, explicou o coordenador do Gaeco.

Detalhando a investigação, a major Layla Brunnela informou que ao longo dos 18 meses de investigação foram realizadas diversas ocorrências, a partir das quais, informações foram sendo coletadas e entrelaçadas levando à percepção de que uma organização aparentemente local tinha vínculo com o Comando Vermelho.

Ela também esclareceu o nome da operação, Fidelis. “Uma das facetas do crime organizado é o domínio de territórios e de comunidades. Assim, o nome da operação significa guardião fiel, justamente para lembrar que quem protege o território mineiro são as instituições públicas,” finalizou.

Estrutura empresarial do crime

As investigações revelaram que a FTO opera como uma verdadeira empresa do crime, com núcleos de logística, finanças e ataques armados. Entre as táticas utilizadas, destaca-se o uso de fuzis e uniformes policiais em execuções de rivais, aumentando a letalidade dos ataques e gerando intimidação à população.

Segundo apurado, em menos de um mês, a organização adquiriu R$ 8,4 milhões em drogas, com fornecedores do CV que operam diretamente do Amazonas. A lavagem de dinheiro era sustentada por empresas de fachada nos setores de gás liquefeito, internet, câmbio e, principalmente, comércio atacadista de pescados.

As investigações apontam que cada uma dessas empresas movimentavam valores da ordem de R$ 25 milhões por ano, recebendo depósitos pulverizados de todo o país, inclusive de Teófilo Otoni e Belo Horizonte, zonas de atuação da FTO.

Relatórios de inteligência financeira identificaram depósitos fragmentados que somaram R$ 2,3 milhões em uma única semana, prática conhecida como smurfing, usada para dificultar a detecção de movimentações suspeitas.

Fonte: Assessoria de Comunicação Integrada Diretoria de Conteúdo Jornalístico jornalismo@mpmg.mp.br